quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vontades

Quero você quente nos meus braços, tão fácil na minha cama. Você tem a chave do meu coração quando usa aquele doce perfume. Eu quero te maltratar, vou lhe dizer isso bem na sua orelha. Você me deixou sentir o seu perigo, e eu deixei você ter este puro sentimento aqui. Quero o toque do seu encanto, o calor da sua respiração. Quero te dizer todas aquelas coisas que poderiam ser melhores não ditas.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Possessão

Primeiro, eram as cores. Estavam lá, intactas. Puras. Assim como sua alma.

AGORA NÃO.

Seu ódio estava contido em suas veias (latejantes). Jorrava seu sangue nas telas. E lembrava-se do sangue que escorria dela, ao cometer o ato quase homicida. Não me importa a dor, desde que eu possa sentir. Uma obra de arte, uma autobiografia desenhada e suja. Força nos pincéis, buracos nas telas. Gritos de rancor. Um corpo sem vida. Você, onde está? Alma podre.

Em seguida, os gritos. Soluços, lamúrias. E pedidos. Por favor!

Jamais serei sua. Pregou as mãos na casta pele alva, colou a boca nos delicados lábios rosados. Movimentos bruscos, desvairados. Penetrando a pele, rasgando o íntimo e clamando por sangue. Quero sentir sua dor. A alma dela outrora pura, ia descobrindo um outro sentido. Você é minha. Tinha fome daquela carne, o gosto amargo do que era tomado a força. Queria ouvir seus gritos, entoando a canção triste em seus ouvidos. O desespero. Tenho sede do seu sangue, minha menina.

Você primeiro

Teus olhos são pedras. Fagulhas finas me enfiando na carne o gosto do sangue que eu te dei. Vá embora e não me olhe espalhar no chão as lágrimas que tu não quiseste. E não ouses vir aqui para culpar-me pela tua inconstância. Oh, não. Essa dor é minha, jamais foi tua, pois são minhas mãos quem doem todas as madrugadas, enquanto seguram o copo de absinto que minha garganta regurgita. Viste agora a diferença? Sou desprezível, meu caro. Tu ainda és o hipócrita aqui, ainda se esconde por detrás dessas máscaras. Quem tu pensas que és? Que podes levar para longe minhas palavras e transformá-las em cinzas. Não, teus olhos são cinza, não os meus. A culpa é toda tua, meu caro. Sempre foi.

Morra

É que às vezes eu lhe pego encarando a si mesma no espelho e perguntando: “Quem você pensa que está enganado?”. Você não era infeliz, só tinha os olhos tristes pela falta do toque, que seu marido – seu marido! – jamais teria. Então, culpe-se. Eu espero que você se lembre de cada beijo não dado e de cada marca não curada. Quero que lembre o sangue que derramamos por isso. Isso que você deixou morrer. Mas, especialmente, eu espero que você saiba que a culpa é sua. Não pense, pare de ser tão hipócrita e, por favor, assuma para si mesma que tua dor é minha. E foi você covarde demais para voltar uma última vez os olhos. Finalmente, eu espero que você apodreça dentro de mim, para jamais me deixar só.